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refresquei a memória!

Por Barbara Gancia - 09 de October de 2009

Eu sabia que, desde que Roman Polanski foi acusado de ter mantido relações sexuais com uma menina de 13 anos, em 1977, eu sempre tinha tido motivo para achar que a justiça americana o estava perseguindo.

Mas não me lembrava direito dos detalhes. Afinal, já se vão 32 anos.

O documentário “Roman Polanski: Wanted and Desired”, de Marina Zenovich, feito para a HBO em 2008, ajudou a refrescar-me a memória.

Embora um dos promotores do caso, David Wells, tenha revelado dias atrás ter mentido em seu depoimento para o filme, isso não invalida a bateria de evidências a favor de Polanski exibidas no documentário.

São tantas e tão fartas que eu desconfio que até o mais fervoroso pai de família católico apostólico romano será capaz de olhar com simpatia para o diretor de “Lua de Fel” depois de ver do que o juiz foi capaz.

Para começar, do advogado da menina supostamente abusada ao representante do Ministério Público que ajudou a denunciar o juiz por conduta irregular, todos concordam que, se estivessem no lugar de Polanski, eles também teriam picado a mula -já que o juiz fechou acordo atrás de acordo com o advogado do cineasta e não cumpriu nenhum.

Não quero estragar a diversão de quem for assistir ao filme e também não vou ficar aqui me perdendo em detalhes.

Digo apenas que havia esquecido de alguns pontos cruciais na argumentação do artigo da semana passada:

1) a menina não era mais virgem quando se encontrou com Polanski. Apesar da pouca idade, ela já tinha tido mais de um namorado

2) ela declarou que já tinha se embriagado outras vezes e também já havia ingerido quaalude em outras ocasiões

3) a mãe da menina frequentava as festas do círculo de Polanski e sabia muito bem onde estava levando a filha

Um último ponto importante a ser lembrado é que Polanski namorou Natassja Kinski quando ela tinha 15 anos. E foram as fotos que ele tirou da atriz que ajudaram a lançar sua carreira no cinema.

Na noite em que Polanski manteve relações sexuais com a menina Samantha (a acusação nunca foi de estupro), ela havia sido levada até ele pela mãe, para que ele a fotografasse para a revista “Vogue Homme”.

E, desde o primeiro momento, a família da menina nunca quis que Polanski cumprisse pena de reclusão.

E, por isso tudo, 32 anos depois, querem levar um velho de 76 anos e de um metro e meio para a cadeia pelo resto de seus dias…

Esse mundo cada vez mais asséptico que nós estamos criando me dá nojo!

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Adolescência tardia

Por Felipe Neto - 27 de Março de 2011 às 14:02

Já dizia minha avó: “oh Flipi” – a velhinha é portuguesa. “Na minha época os casamentos se davam antes mesmo dos quinze e o trabalho, bem, eu comecei aos nove”. Eita nós, vó.

O tempo passou. De lá pra cá, aumentou-se consideravelmente a expectativa de vida da população e, numa inversão proporcional, o desinteresse pelo início na vida produtiva. Afinal, ora bolas (achei melhor que “macacos me mordam”), se eu vou viver até os setenta, pra que ficar ralando aos vinte? Ainda há muito tempo pela frente, vou é viver tudo que eu tenho pra viver e deixar pra realmente ralar quando for a hora.

E assim disse Humberto Maizum. (ah, os trocadilhos… Pior que eles, só os parênteses metidos a engraçados)

Fica difícil traçar um grau comparativo levando-se em conta que sou, o próprio, um jovem adulto, mas pegando emprestado o jargão do barbudo: nunca na história desse país se viu uma classe de jovens adultos tão patética, relaxada, acomodada e esperando que a vida siga em frente para, quem sabe, surgir uma oportunidade que os faça crescer. O final da história, obviamente, é previsível.

Por jovem adulto, traço como a idade compreendida entre os 18 e 25 anos, mas que cada vez mais cresce. Já é normal ver senhores barbados de 28 morando com os pais. Minha reação a isso pode ser expressada numa brilhante inclusão no roteiro do seriado Friends, num episódio lá pelas bandas de 1998, quando a Monica pergunta a um rapaz da exata idade referida acima se ainda morava com os pais, no que escuta: “sim, mas posso voltar a hora que quiser” – sua resposta é uma cara de nojo. Cara de nojo essa que é cada vez mais substituída pela compreensão.

Os jovens de 20 anos de hoje em dia consideram muito melhor viver o período da faculdade enchendo a cara em botecos a luz dos dias de semana e entupindo os pulmões e cérebro com maconha do que efetivamente lutando pelo seu próprio futuro. Enxergam a diversão e o prazer como prioridade absoluta, característica comum da infância e adolescência, retardando cada vez mais suas possibilidades de sucesso. Tornando-se pertencentes a classe dos “mais uns”, sem destaque, sem brilho, terminando quase sempre como escravos do sistema pertencentes a corrida dos ratos, ralando pra sobreviver. Até que, lá pelos trinta e poucos, percebem que são apenas uma sombra do que poderiam ter sido, se tivessem percebido que o amadurecimento deve se dar na fase em que o gás ainda existe no grau máximo.

Vinte e poucos anos, a idade da energia, a idade em que cada objetivo traçado pode ser atingido, a idade em que podemos errar, bater com a cara na parede e começar novamente, a idade perfeita para se amadurecer e enxergar a vida diferentemente dos amiguinhos idiotas e atrasados intelectualmente, mas que é jogada no lixo por interesses estúpidos, pela infantilidade retardada. Enfim, o comum. Festas, bares, rodinhas de maconha, álcool quase todo dia e o pensamento padrão de: “eu to na fase disso”. Ora, ser tão esperto que poderia ser chamado de quadrúpede tamanhas as vezes em que fica de quatro vomitando na privada, você está “na fase disso” porque quer estar, não porque deveria, olhe para seus conhecidos da mesma faixa de idade que já possuem salários fixos, vida bem encaminhada e dedicação total para entender onde você está errando e o quão ficará pra trás e perceberá que a desculpa de “eu to na fase disso” logo será substituída pelo pensamento de “como eu fui imbecil”.

Não devemos abrir mão da diversão, mas diversão inconsequente e irresponsável é, acima de tudo, apenas um sinal de fraqueza e insignificância. Vai lutar pela sua vida e vê se larga essas bobagens, mulinha.

“Nossa Felipe, como você é velho” – com muito orgulho, criança. Com muito orgulho.

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Felipe Neto: o autor

Por Ronald Rios 
Caras, eu acabei de rir muito. O grande K-Max deu a dica e eu fui atrás. Tinha acabado de voltar duma batalha de MC na Lapa e tava cansadão, pronto para dormir, masss não! Fui seguir a dica do K e ri demais com um texto de um blog. E vou postá-lo aqui, para dividir com vocês.
É o ABOUT ME do blogueiro Felipe Neto. Não conhecia ele, mas por esse about me, já deu vontade de conhecer o cara. Vem comigo, que o humor é involuntário – mas rico:
(Meus comentários estão em negrito, assim) 

Mais que qualquer taxação superficial, Felipe Neto é um observador do comportamento humano e tudo que o envolve. Passa suas horas diárias estudando a vida e suas vertentes, analisando e chegando a conclusões que, para ele, são verdades. Mesmo que mutáveis.
O cara “passa horas diárias estudando a vida e suas vertentes” = horas na Wikipédia e baixando seriados. 
É apaixonado pelas artes humanas. Desde as mais abstratas às concretas.
Considera-se um artista, alguém cujo papel no mundo não é vê-lo girar, mas influenciar nessa rotação.
Se Felipe Neto é o responsável, dá para explicar porque tá essa merda toda… 
As maiores paixões de sua vida são escrever, criar, inovar e ler.
Uma metamorfose de idéias, opiniões e interpretações.
Eu gosto mesmo é de largar um barrão. 

Nascido em 1988, sob o signo de Aquário, não consegue parar em apenas uma função. Descobre tudo o que é bom fazendo e se dedica à arte de fazê-lo. Tão por isso, desempenha atividades de Blogueiro, Escritor, Ator e Designer Gráfico.

Quem sai anunciando o signo tem problema, acho que não preciso falar isso. 
Mas beleza, ele vai em frente dizendo que não consegue parar em APENAS UMA FUNÇÃO. O cara é, se liga: BLOGUEIRO, ESCRITOR, ATOR e DESIGNER GRÁFICO.
Mano, só faltou ser advogado e proctologista para o cara estar preparado para qualquer rodada de piadas do Show do Tom sobre o tema “profissões”.
Você pode pensar “Ah, escritor não tem nada de errado!” Legal, agora vai ali na Saraiva e pede o “novo do Felipe Neto”… 
Desconhece o sentido do termo “foco único”, pois acredita que o ser humano possui qualidades demais para limitar-se aos padrões da vida cotidiana.
Eu sei que tem algo maneiro para zoar aí mas eu nem entendi o que ele quis dizer.
Seu maior objetivo com o blog Controle Remoto é fazer com que seus leitores pensem, (conseguiu, só no about me já tá fazendo isso comigo) ato tão raro na atualidade. Sua meta é mostrar ao mundo que as interpretações múltiplas da vida geram infinitas verdades. Seus textos, muitas vezes de caráter motivacional, crítico e polêmico , servem para deixar clara a fabilidade do ser humano e como podemos ter forças para reagir.
É verdade, Felipe. Eu estou reagindo a essa monte de bobagem que você tá falando.

Senhoras e senhores, o próximo parágrafo é o mais foda. Eu acho que não vou nem comentar, quero só que vocês leiam: 
Ao contrário do que muitos podem pensar, ao ler suas palavras um tanto quanto rígidas, não limita-se a uma vida dentro do computador. Apesar deste concentrar seu trabalho, é fascinado por diversas vertentes do lazer urbano de um carioca tradicional. E isso inclui boates, festas, bares, cinemas, restaurantes, shoppings, praças e qualquer lugar que possa concentrar álcool e amigos.
Hahahaha o cara quis dizer assim: “Eu passo tanto tempo no computador quanto o cara que atualiza o @VitorFasano, mas na verdade eu também vivo uma vida de Vitor Fasano, o original.”
Completamente viciado em seriados, acredita que o homem jamais será capaz de criar qualquer produção superior a Friends. Já no cinema, acha insuperáveis os filmes da trilogia Senhor dos Anéis e o musical Moulin Rouge.
Ouve isso: “acredita que o homem jamais será capaz de criar qualquer produção superior a Friends” 
Nossa senhora, me dê a mão. Cuida do meu coração. Da minha vida. 
Do meu destino. E do meu caminho. 
FRIENDS É LEGAL.
PONTO. 
Mas “o homem JAMAIS SERÁ CAPAZ…” amigo, o homem fez antes, fez durante e fez depois “produções superiores à Friends.” 
Agnóstico de carteirinha, defende a fé como forma de salvação de uma sociedade corrompida composta por seres humanos imperfeitos. Entretanto, luta contra a dominação mental exercida pelas religiões ambiciosas e sedentas por dinheiro e poder.
Tô tentando entender como ele encaixou essa frase aí numa descrição de “quem sou eu” de blog.

Nestes poucos parágrafos, foi possível traçar a base de sustentação da personalidade de Felipe Neto.
SUSTENTAÇÃO DA PERSONALIDADE. 
Demais. 
Parabéns, Felipe. Você é O CARA. Continue estudando as vertentes!

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Pensamentos quase póstumos

por LUCIANO HUCK

LUCIANO HUCK foi assassinado. Manchete do “Jornal Nacional” de ontem. E eu, algumas páginas à frente neste diário, provavelmente no caderno policial. E, quem sabe, uma homenagem póstuma no caderno de cultura

Não veria meu segundo filho. Deixaria órfã uma inocente criança. Uma jovem viúva. Uma família destroçada. Uma multidão bastante triste. Um governador envergonhado. Um presidente em silêncio. 

Por quê? Por causa de um relógio. 

Como brasileiro, tenho até pena dos dois pobres coitados montados naquela moto com um par de capacetes velhos e um 38 bem carregado. 

Provavelmente não tiveram infância e educação, muito menos oportunidades. O que não justifica ficar tentando matar as pessoas em plena luz do dia. O lugar deles é na cadeia. 

Agora, como cidadão paulistano, fico revoltado. Juro que pago todos os meus impostos, uma fortuna. E, como resultado, depois do cafezinho, em vez de balas de caramelo, quase recebo balas de chumbo na testa.

Adoro São Paulo. É a minha cidade. Nasci aqui. As minhas raízes estão aqui. Defendo esta cidade. Mas a situação está ficando indefensável. 

Passei um dia na cidade nesta semana -moro no Rio por motivos profissionais- e três assaltos passaram por mim. Meu irmão, uma funcionária e eu. Foi-se um relógio que acabara de ganhar da minha esposa em comemoração ao meu aniversário. Todos nos Jardins, com assaltantes armados, de motos e revólveres. 

Onde está a polícia? Onde está a “Elite da Tropa”? Quem sabe até a “Tropa de Elite”! Chamem o comandante Nascimento! Está na hora de discutirmos segurança pública de verdade. Tenho certeza de que esse tipo de assalto ao transeunte, ao motorista, não leva mais do que 30 dias para ser extinto. Dois ladrões a bordo de uma moto, com uma coleção de relógios e pertences alheios na mochila e um par de armas de fogo não se teletransportam da rua Renato Paes de Barros para o infinito. 

Passo o dia pensando em como deixar as pessoas mais felizes e como tentar fazer este país mais bacana. TV diverte e a ONG que presido tem um trabalho sério e eficiente em sua missão. Meu prazer passa pelo bem-estar coletivo, não tenho dúvidas disso. 

Confesso que já andei de carro blindado, mas aboli. Por filosofia. Concluí que não era isso que queria para a minha cidade. Não queria assumir que estávamos vivendo em Bogotá. Errei na mosca. Bogotá melhorou muito. E nós? Bem, nós estamos chafurdados na violência urbana e não vejo perspectiva de sairmos do atoleiro. 

Escrevo este texto não para colocar a revolta de alguém que perdeu o rolex, mas a indignação de alguém que de alguma forma dirigiu sua vida e sua energia para ajudar a construir um cenário mais maduro, mais profissional, mais equilibrado e justo e concluir -com um 38 na testa- que o país está em diversas frentes caminhando nessa direção, mas, de outro lado, continua mergulhado em problemas quase “infantis” para uma sociedade moderna e justa. 

De um lado, a pujança do Brasil. Mas, do outro, crianças sendo assassinadas a golpes de estilete na periferia, assaltos a mão armada sendo executados em série nos bairros ricos, corruptos notórios e comprovados mantendo-se no governo. Nem Bogotá é mais aqui. 

Onde estão os projetos? Onde estão as políticas públicas de segurança? Onde está a polícia? Quem compra as centenas de relógios roubados? Onde vende? Não acredito que a polícia não saiba. Finge não saber. 

Alguém consegue explicar um assassino condenado que passa final de semana em casa!? Qual é a lógica disso? Ou um par de “extraterrestres” fortemente armado desfilando pelos bairros nobres de São Paulo? 

Estou à procura de um salvador da pátria. Pensei que poderia ser o Mano Brown, mas, no “Roda Vida” da última segunda-feira, descobri que ele não é nem quer ser o tal. Pensei no comandante Nascimento, mas descobri que, na verdade, “Tropa de Elite” é uma obra de ficção e que aquele na tela é o Wagner Moura, o Olavo da novela. Pensei no presidente, mas não sei no que ele está pensando. 

Enfim, pensei, pensei, pensei. Enquanto isso, João Dória Jr. grita: “Cansei”. O Lobão canta: “Peidei”. 

Pensando, cansado ou peidando, hoje posso dizer que sou parte das estatísticas da violência em São Paulo. E, se você ainda não tem um assalto para chamar de seu, não se preocupe: a sua hora vai chegar.

Desculpem o desabafo, mas, hoje amanheci um cidadão envergonhado de ser paulistano, um brasileiro humilhado por um calibre 38 e um homem que correu o risco de não ver os seus filhos crescerem por causa de um relógio.

Isso não está certo. 

LUCIANO HUCK, 36, apresentador de TV, comanda o programa “Caldeirão do Huck”, na TV Globo. É diretor-presidente do Instituto Criar de TV, Cinema e Novas Mídias.

Fonte: Folha de São Paulo